Mas em Para além de bem e mal 268, há também uma sugestão de como ele procura comunicar a alteridade de suas próprias experiências e necessidades particulares: Os homens mais semelhantes, mais costumeiros, estiveram e sempre estarão em vantagem; os mais seletos, mais sutis, mais raros, mais difíceis de compreender, esses ficam facilmente sós, em seu isolamento sucumbem aos reveses, e dificilmente se propagam. e MOUFFE, Chantal. Contra a alegação socrática de que o conflito de impulsos que nos constitui só pode ser ponderado (moderado) pela eliminação (ou ao menos pela redução) do nosso antagonismo interior, Nietzsche sugere que nosso antagonismo interior pode ser contido através de relações externas de um antagonismo ponderado com outros que têm forças aproximadamente iguais às nossas. Naturalização da moral]; Cf. Ver Livros. Esse é o motivo pelo qual Nietzsche escreve sobre a "natural imoralidade" de nossos valores (Nachlass/FP 9 [86], KSA 12.380) e "o terrível texto básico homo natura" (JGB/BM 230, KSA 5.167): a natureza em questão é uma natureza que foi destituída de sentido moral e restituída à sua inocência e ferocidade. A crítica de Nietzsche a uma ontologia substancial acarreta a tarefa de explicar em termos naturalistas como nós viemos a tomar substâncias - a existência de coisas estáveis, incluindo o sujeito - como sendo verdades fundamentais e autoevidentes. Irei examinar a tese de Nietzsche sobre as fontes sociais e históricas do eu - uma área do seu pensamento que não recebeu suficiente atenção - e reconstruí-la como um contra-argumento à concepção liberal de indivíduo. No primeiro caso, Nietzsche enfatiza a predominância da autossubmissão [Unterordnung] atual (o estado, a família, a igreja etc.) A virada de Nietzsche rumo à fisiologia, ou a virada fisiológica na explicação de Nietzsche da soberania, permite a ele, portanto, repensar a autodeterminação em termos relacionais e radicalmente individuais: a soberania requer que um indivíduo determine suas ações em relação aos outros em resposta àquelas condições que permitem a ele satisfazer de forma optimal suas necessidades e florescer como uma forma-de-vida única. Nietzsche, it is argued, offers a powerful critique of the asocial, antecedently individuated concept of personhood, to which the liberal notion of freedom (the right to choose one's concept of the good) is attached, but also an alternative counter-concept of personhood and sovereignty. De fato, esse é praticamente o único modo em que eu tenho vivido com as pessoas. d�l��-�+�dIN����JA.�t8�d�G�#��{�(t��@7����a�k�*�P��Tz*�S-���J�p��� �6�zg/��Œmd�eїe/߱����t��ݳ��`�ӆq��|�z{�>�y. Todas essas funções classificam-se como a autorregulação ou a conquista da "suprema ordenação" e do "sentimento de poder" sobre si mesmo que disso resulta. Os argumentos a favor do caráter social da (auto) consciência individual extraídos da linguagem, expostos no § I, são aqui reforçados em termos de uma internalização de interpretações e julgamentos morais alheios. Nossos próprios impulsos aparecem a nós sob a interpretação de outros: embora no fundo eles sejam todos agradáveis [angenehm], eles estão tão misturados com sentimentos desagradáveis que os acompanham [unangenehmen Beigefühlen] através de julgamentos inculcados a respeito de seu valor, que de fato alguns são agora sentidos como maus impulsos: "eles me levam onde eu não deveria [nicht sollte] ir" - quando na verdade um impulso mau é uma contradictio in adjeto. "(Self-)legislation, Life and Love in Nietzsche's Philosophy". "Idealisirung")" [a lei moral feita soberana (- até converter-se no oposto da natureza -) / Passos da "desnaturalização da moral" (A chamada idealização)]. 06 de Dezembro de 2015,  Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons, Rodovia Porto Seguro - Eunápolis/BA BR367 km10, https://doi.org/10.1590/2316-82422016v37n1hs. Der Einfluss von Wilhelm Roux auf Fr. Würzburg: Königshausen & Neumann, 1998. Nós nos dividimos e continuamos a nos dividir mais vezes. Sobre as origens sociais dos sentimentos morais. Nachlass/FP 24 [7], KSA 10.646: "unser Bedürfniß ist jetzt die Welt zu entmoralisiren: sonst könnte man nicht mehr leben [...]" [O que precisamos agora é destituir o mundo de seu sentido moral: do contrário não conseguimos mais viver]. [...] (Nachlass/FP 6[58], KSA 9.207). Se a autossubmissão à lei moral eterna, como recomendado pelos filósofos morais, é o caminho da servidão, como pode a liberdade individual radical ser de todo concretizada? Berlin. Mas a autorregulação também acarreta o momento crucial da "moderação" [Maaßhalten] ou medida. Como argumentarei, o texto de Nietzsche sugere um ideal agonístico de uma pluralidade interior em um conflito moderado e fecundo, sustentado e entrelaçado com uma pluralidade exterior de seres soberanos ou organismos engajados em um conflito moderado e produtivo uns com os outros. Isso seria somente amor para com outro pretenso indivíduo! ANSELL-PEARSON, Keith (Ed.). 7 Cf. Rawls), como também aquelas que pressupõem afetos e impulsos primordiais por parte do indivíduo, tais como o medo da morte e o desejo de autopreservação de Hobbes10. 2. a pessoa é associal: os fins de uma pessoa são formados antes ou independentemente da sociedade; a sociedade não fornece a identidade, valores ou fins de uma pessoa, mas ela é antes o resultado de um contrato entre os indivíduos cujos fins são previamente dados. Mas o que é notável nessa explicação não é tanto a redescrição de nossa relação conosco mesmos como uma internalização de relações sociais, mas sim a ênfase no conflito e na autodivisão ("a favor e contra"). [ Links ], HOBBES, Thomas. Também SIEMENS, H. W. "Nietzsche and the Temporality of self-Legislation". Se a linguagem está confinada ao que é comum, como então falar de necessidades, sentimentos e pensamentos que não são comuns, ou seja, são outros [anders] e particulares? também Katrin Meyer sobre Nietzsche defender um ataque aos conceitos epistemológicos de ser, substância etc., nascido de seu engajamento da juventude com os pré-socráticos (MEYER, Katrin. Correio eletrônico: hwsiemens@hotmail.com. [...] (Nachlass/FP 11 [270], KSA 9.545; cf. Podemos agora tomar a questão em seu contexto: se a medida e a paz interior obtida através da autossujeição à lei moral eterna e universal é o caminho da servidão, como então pode a liberdade radicalmente individual ser de todo concretizada? Em uma passagem central da anotação, Nietzsche discorda dos pressupostos liberais em três considerações: [1.] Nachlass/FP 11 [211], KSA 9.525: "Meine Aufgabe: die Entmenschung der Natur und dann die Vernatürlichung des Menschen, nachdem er den reinen Begriff "Natur" gewonnen hat" [Minha tarefa: a desumanização da natureza e, portanto, a naturalização do homem, depois de ele ter obtido o conceito puro de "natureza"] Também cf. Capa ilustrativa. Retomaremos essas questões no § IV. Würzburg: Königshausen & Neumann, 1998, p. 8-38). "Uma ação má". Cada um de nós é, como Nietzsche escreveu em Schopenhauer como educador, "ein Unicum", um "seltsamer Zufall", um "wunderlich buntes Mancherlei", misturados numa "Einerlei" cuja tarefa é "nach eignem Maass und Gesetz zu leben" (SE/Co. Aspectos desse ideal político podem ser compreendidos nos tipos de relações descritas por Nietzsche no seu modelo orgânico de soberania, como no tópico "1) como autorregulação", onde o antagonismo aparece na forma de "medo de toda interferência estrangeira" e "no ódio contra [gegen] os inimigos". Em uma outra anotação relacionada à sociofisiologia, ele distingue nitidamente entre o caminho da servidão, inaugurado pelos primeiros filósofos morais, como a história do "animal de rebanho" que veio a dominar a modernidade, e a história de seres singulares solitários, como o caminho para a soberania: "O desenvolvimento de animais de rebanho e plantas sociais é inteiramente distinto daquele dos seres solitários ou singulares [einzeln lebend]) (Nachlass/FP 11 [128] KSA 9.488)". Esses argumentos serão desenvolvidos no que se segue em consonância com quatro principais linhas de pensamento: sobre as origens sociais e o caráter da (auto) consciência (§I); sobre a (pré) história e a constituição social de nossa capacidade como indivíduos soberanos [sovereign] (§II); sobre as origens sociais do fenômeno moral (como internalização de normas comuns) (§III); e sobre a destruição fisiológica do sujeito moral substancial, seguida da reconstrução fisiológica (§IV). Nietzsche-Studien 7, 1978, p. 189 - 223. In. de Gruyter, 2015, pp. Journal of Nietzsche Studies 38, Fall, 2009, p. 20-37. Em ambos os textos o argumento gira em torno da história e do desenvolvimento da linguagem. 8 RESUMO A presente tese tem como objetivo reconstruir o diÆlogo de Nietzsche com a história do ... Obras de Nietzsche: KSA = Sämtliche Werke. Nachlass/FP 11 [82], KSA 9.509). Nietzsche on Time and History, (Ed.). Quando ele escreve: "as tensões e tendências hostis através das quais o indivíduo mantém a si mesmo como indivíduo", ele está conectando um forte antagonismo interior com um antagonismo exterior e interpessoal como sua condição. 1414 "Einen Trieb haben und vor seiner Befriedigung Abscheu empfinden ist das "sittliche" Phänomen" (Nachlass/FP 6 [365], KSA 9.290). Ästhetik der Historie: Fr. NIETZSCHE. Os impulsos sociais (como inimizade, inveja, ódio - os quais pressupõem uma pluralidade) nos transformaram: nós deslocamos a "sociedade" para dentro de nós mesmos, nós a comprimimos, e refugiar-se em si mesmo não é uma fuga da sociedade, mas frequentemente um desconfortante sonhar e interpretar dos processos que ocorrem em nós de acordo com o esquema das experiências anteriores [...] (Nachlass/FP 6 [80], KSA 9.215). Der souveräne Begriff" ["Sócrates. Trad. "Selbstbegründung. Essa implicação milita claramente contra o conceito liberal de indivíduo como associal e previamente individuado. 1616 Górgias 482c: "Me fora preferível [...] não concordar com minhas opiniões a maioria dos homens, e combatê-las, a ficar em desarmonia comigo mesmo e vir a contradizer-me" (PLATÃO. Nachlass/FP 19[20], KSA 7.422: "Nach Sokrates ist das allgemeine Wohl nicht mehr zu retten, darum die individualisirende Ethik, die die Einzelnen retten will". Nesse artigo ela defende essa posição contra o espírito divisionista do agon na Grécia e ao mesmo tempo nega que a unidade ou harmonia consigo mesmo proposta por Sócrates exclua o pluralismo (ARENDT, Hannah. Expor os erros do ego! Em Nachlass/FP 6 [26], KSA 8.108, ele acusa Sócrates de tirar o indivíduo para fora de seu contexto histórico e em Nachlass/FP 6 [21], KSA 8.106, ele caracteriza a posição de Sócrates com as palavras: "da bleibt mir nichts als ich mir selbst; Angst um sich selbst wird die Seele der Philosophie." Dossiê "Nietzsche e as Tradições morais". ["Para Sócrates não era mais possível salvar o bem-estar geral. Ambas as estratégias têm a vantagem de resguardar o indivíduo do sofrimento por meio da imposição de medida [Maass] sobre o excesso [Übermaas] dos impulsos individuais, assim como reduzir a tensão ou conflito entre eles (Nachlass/FP 11[182], KSA 9.511). (Folha explica) ISBN 85-7402-212-8 1. Oxford: Blackwell, 1992. FREEMAN, S. Minha compreensão da noção de eu de Rawls e da oposição de Nietzsche a ela deve muito à explicação de David Owen em OWEN, David. The Perspectivism of Nietzsche (Doctoral thesis) O(s) perspectivismo(s) de Nietzsche (tese de doutorado) A Arqueologia do Saber; trad. Deste modo, podemos afirmar que soberania requer que sustentemos a tensão entre o máximo antagonismo e a máxima ordenação na pluralidade das forças ou impulsos que constituem cada um de nós. FREEMAN, S. Essa mentira protoplasmática [protoplasmic] primordial vive em nossa crença política no estado como um todo estável, argumenta Nietzsche, pela mesma razão que todas as formas-de-vida orgânicas percebem "coisas estáveis" em seu entorno: para facilitar o processo de assimilação e subordinação: Nas condições mais desenvolvidas nós ainda cometemos o erro mais primitivo: i.e., nós representamos o estado para nós mesmos como algo inteiro e estável, real como uma coisa, e consequentemente submetemo-nos a ele, como uma função [do mesmo]. Nietzsche, entretanto, pretende se perguntar se, de fato, Strauss merece, como escritor, o … Mesmo no recuo para a solidão - muitas vezes tomado como um indicativo do individualismo autárquico de Nietzsche - nós praticamos relações sociais conosco mesmos, e trazemos conosco todos os nossos hábitos e impulsos sociais. Para além da proposição “equivocada” (KSA 8, p. 174) de Dühring de que, “fazer do egoísmo (...) a regra dominante das relações humanas é, no fundo, apenas uma aparência e nenhuma verdade duradoura” (WL, p. 186), Nietzsche apresenta uma diferenciação entre um egoísmo “ávido e cego” e um egoísmo, que tem no “amor mais puro” a si mesmo uma forma de desprezo (Verachtung) de si. No segundo caso, ele enfatiza o crescimento da complexidade do indivíduo através da incorporação de estruturas sociais, mas também as dificuldades da transição de órgão para um organismo autorregulador: "Pessoas solitárias [Einzeln lebend], se elas não perecem, desenvolvem-se em sociedades, e uma série de âmbitos de atuação são desenvolvidos, e muita luta de impulsos para nutrição no espaço e no tempo também". Essa transição, segundo Nietzsche, é possível por meio de um processo de aprendizagem, assimilação e incorporação [Einverleibung]. [...] Aprender passo a passo a abandonar o pretenso indivíduo! 11 [238], KSA 9.532: "Die Menschen und die Philosophen haben früher in die Natur hinein den Menschen gedichtet - entmenschlichen wir die Natur!" Die Philosophen als Moralisten: sie untergraben den Naturalismus der Moral" [Crítica da filosofia. Em si mesmos nossos impulsos não são bons nem maus. [...] Os filósofos como moralistas: minam o naturalismo da moral]. Nietzsche (1844-1900) foi um filósofo, escritor, poeta e filólogo alemão. Primeiro a sociedade educa o ente singular [das Einzelwesen], o pré-forma em meio - ou indivíduo inteiro -; ela não é formada de entes singulares, nem do contrato entre eles! ̬Y� "Rawls and Communitarianism", op. Nietzsche, associado ao Grupo de Estudos Nietzsche da USP, apresenta, em mais de 35 volumes publicados e cerca de 20 anos de publicações, apenas um artigo sobre uma 2 Seguem-se as siglas empregadas para as referências às obras de Nietzsche: KSA – Sämtliche Werke: Uma das narrativas de Nietzsche acerca do tornar-se sobre-humano toma a forma de uma antevisão de uma futura “aristocracia superior” (Nachlass/FP 10 [17], KSA 12.462; 9 [153], KSA 12.424). também Nachlass/FP 16[16], KSA 13.487: "Wir Wenigen oder Vielen, die wir wieder in einer entmoralisirten Welt zu leben wagen, wir Heiden dem Glauben nach [...]" [Nós, poucos ou muitos, que nos atrevemos a viver de novo em um mundo destituído de sentido moral, nós pagãos segundo a fé]; e como parte do plano de um livro, Nachlass/FP 10 [57], KSA 12.485: "Geschichte der Vermoralisirung und Entmoralisirung" [História da moralização e da destituição de sentido moral]; cf. Ao enfatizar as origens sociais de nossos fins e valores morais, esses textos solapam a afirmação liberal de que a pessoa [personhood] é separada dos fins e valores escolhidos de forma livre e independentemente da sociedade. This essay examines Nietzsche's thought on the social and historical sources of the self as a counter-argument against the liberal concept of the individual. Combinando ambos os textos nós podemos reconstruir o seguinte argumento: na medida em que a (auto) consciência individual é ela mesma um produto da linguagem (FW/GC 354, KSA 3.590), e visto que a linguagem significa as necessidades comuns ou compartilhadas que determinam os valores da comunidade (JGB/BM 268, KSA 5.221), segue-se que o indivíduo (auto) consciente é inseparável de seus valores, e mais especificamente, dos valores fundamentais da comunidade à qual ele pertence. Liberals and Communitarians. O egoísmo ingênuo do animal foi completamente alterado por nossa integração social: nós já não podemos sentir a singularidade [Einzigkeit] do ego, nós estamos sempre entre muitos. Isso pode ser visto em uma anotação na qual Nietzsche examina o juízo acerca de "uma ação má" em termos sociofisiológicos: Em si mesmos os impulsos não são nem bons nem maus para nossos sentimentos. Frases, textos, pensamentos, poesias e poemas de Nietzsche. Se não há um mundo organizado de modo finalista e unitário, por. Tanto o caráter internalizado e social do eu, quanto nossa relação conosco mesmos são centrais para a demolição crítica de um sujeito moral substancial empreendida por Nietzsche, bem como para sua tentativa de reconstruir o sujeito como dividuum, tema para o qual eu me volto agora. 512). E assim como o veemente antagonismo de nossos sentimentos deve ser maximizado para que haja uma pluralidade de indivíduos vibrantes (Cf. É importante perceber que, de acordo com Nietzsche, essa estratégia para alcançar a harmonia ou paz interior aparece de mãos dadas com a estratégia de autossubmissão ao "conceito soberano"18 (a lei moral) atribuída aos primeiros filósofos morais [Ethiker] na sociofisiologia de Nietzsche (Nachlass/FP 11 [182], KSA 9.511), discutida no § II. In. (Nachlass/FP 11 [182] KSA 9.511). Kritische Studienausgabe (Ediçªo em 15 volumes das obras de Nietzsche por Colli e Montinari. Os julgamentos morais alheios não são apenas a fonte dos nossos julgamentos morais; eles são a matéria ou conteúdo original de nossa mente e fornecem nossa própria imagem e compreensão de nós mesmos. Em um fragmento do verão de 1875, Nietzsche anota: "a dominação espiritual de Atenas foi um impedimento [Verhinderung] à toda reforma. [ Links ], ______. Nietzsche planeja aqui reconstruir esse processo de desnaturalização, passo a passo. Os nœmeros romanos remetem sempre ao volume, BENHABIB, Seyla (Ed.). de Minuit, 1967. Assim, a igualdade predomina amplamente! Mas isso levanta a seguinte questão: que sentido de liberdade individual ou soberania a sociofisiologia de Nietzsche deixa em aberto? Em particular, o conceito liberal de liberdade individual como um poder primordial ou "direito natural" dos indivíduos que carecem de proteção contra o constructo artificial do estado é descartado. [ Links ], ______. Mas em 1869 Nietzsche escreve: "Euripides hat von Socrates die Vereinzelung des Individuums gelernt" ["Eurípides aprendeu com Sócrates a singularização do indivíduo"] (Nachlass/FP 1 [106] KSA 7.41). Nosso próprio julgamento é somente a extensão [Fortzeugung] de [julgamentos] alheios combinados! A tese é que os nossos impulsos não são "naturais", mas aprendidos e assimilados da sociedade ou estado. A soberania nietzschiana é não-soberana no sentido de que ela depende do cultivo de certas relações com os outros; ela está profundamente enraizada e é inteiramente relacional por definição. 47 novos e 25 usados. Seus argumentos visam mostrar, em sua dimensão crítica, que o indivíduo ou pessoa é inseparável de seus objetivos ou valores, que são socialmente constituídos, e que nossa capacidade como indivíduos, especialmente para a agência soberana, é o produto de uma longa história e pré-história social. Interessa ao filósofo não a verdade histórica, ou seja, o texto da verdadeira pregação do Cristo, mas a reconstituição de seu tipo psicológico. de Carlos Alberto Nunes. Nesta seção retorno a uma série de textos em que Nietzsche busca destituir a natureza humana de sentido moral [de-moralise] e recuperar sua inocência, argumentando que nossos sentimentos morais não são naturais, mas consequência da internalização de normas sociais. [ Links ], ______. Zijn en Worden. Nietzsches "Vom Nutzen und Nachteil der Historie für das Leben", Epistemata Würzburger Wissenschaftliche Schriften, Reihe Philosophie Bd. sobre a (pré) história e a constituição social de nossa capacidade como indivíduos soberanos (sovereign); III. BAW is Becksche Ausgabe Werke (roughly Beck's collection of works, Beck is a german publisher), the first historical critical collection of Nietzsches works, discontinued because WW2 after 5 volumes, available in reprint cover the early works of nietzsche, from childhood up to 1869. 7 This assumption appears suspect once we recall that the Platonic criticism of the arts—to which Nietzsche takes himself to be responding—was framed squarely in terms of mimēsis, or ‘imitation’. A redução naturalista da voz interior da consciência a um conjunto de sentimentos imitados [Summe nachgeahmte Empfindungen] de inclinação/aversão a priva claramente de sua inquestionável autoridade normativa. No contexto da crítica nietzschiana de uma ontologia substancial, isso envolve reescrever nossa relação conosco mesmos sem pressupor uma unidade ou identidade subjacente, partindo ao invés disso de uma multiplicidade originária. III 1, KSA 1.337)13. Relações entre forças mais ou menos iguais são reguladas por dependências recíprocas, comando e obediência recíprocos, benevolência e ódio, entre tomar e dar. Nachlass/FP 11 [182], KSA 9.512). Série 00-2125 CDD-193 Índices paro catálogo sistemático: 1. De Gruyter (Ed.). O termo "Entmenschung" (e "entmenschlichen") está intimamente associado a "Entmoralisirung", uma vez que a moralização da natureza é frequentemente concebida como um processo de antropomorfização (Cf. "Sujeito" é a condição para a existência da vida orgânica, por isso não a "verdade"; mais, a sensação de sujeito [Subjekt-Empfindung] pode ser essencialmente falsa, mas é o único meio de sobrevivência. 16 de Outubro de 2015; Aceito: Estes são, portanto, dois movimentos que devem ser coordenados no projeto de naturalizar a moralidade: traduzir os valores e o ser humano de volta à natureza, e traduzir a moralidade a partir da natureza (humana): a Vernatürlichung der Moral [Naturalização da moral] vem de mãos dadas com a Entmoralisierung der Natur [a destituição do sentido moral da natureza]7. De Paulo César de Souza. 2008 13 O TERMO “RESSENTIMENTO” Na segunda metade do … Ela é a soma de sentimentos de inclinação e aversão em relação a ações e opiniões, sentimentos imitados com que os quais nos deparamos nos pais e professores! "], 8 Nesta citação, em específico, foi utilizada a tradução de Paulo César de Souza (doravante PCS), com uma pequena alteração. Nietzsche prossegue argumentando que as necessidades mais importantes e urgentes são as primeiras a encontrar expressão linguística e, como tais, elas acabam por definir nossos valores fundamentais [Rangordnung der Werthe, Gütertafel]. Mas como vimos na introdução, a natureza e a natureza humana em particular foram completamente moralizadas ao longo da história da moralidade, e devem ser destituídas de sentido moral [de-moralised] a fim de que a naturalização da moral faça sentido. Ele [o estado] é que faz com que seja possível aos seres humanos existirem como animais de rebanho. [ Links ], AYDIN, Ciano. GC, I - V A Gaia Ciência KSA, 8 Demais fragmentos do período entre 1875 e 1879 KSA, 9 Demais fragmentos do período entre 1880 e 1882 ZA I - IV Assim falou Zaratustra. A moralização de nossos impulsos através do processo da internalização é mais bem descrita em uma anotação na qual o caráter social ou relacional de nossos impulsos é claramente enunciado: Que impulsos poderíamos ter que não nos colocassem desde o começo em uma determinada disposição em relação aos outros: nutrição, impulso sexual? No texto de Nietzsche, a guerra de todos contra todos de Hobbes é reconstruída como a fase na qual os indivíduos sofrem as disfunções que acompanham o rompimento do organismo social, devendo então assegurar sua própria existência como organismos individuais (e não apenas como órgãos) através da reordenação de seus impulsos e funções. These arguments are reconstructed along four main lines of thought: on the social origins and character of (self-)consciousness (§ I); on the (pre-)history and social constitution of our capacities as sovereign individuals (§ II); on the social origins of moral phenomena, understood as internalisations of communal norms (§ III); and Nietzsche's physiological destruction of the substantial moral subject, coupled with the physiological reconstruction of the subject as dividuum (§ IV). também Nachlass/FP 23 [35], KSA 7.555: "Sokrates bricht mit der bisherigen Wissenschaft und Kultur, er will zurück zur alten Bürgertugend und zum Staate" ["Sócrates rompeu com a ciência e a cultura da época; ele pretendia um retorno à antiga virtude cívica e ao estado"]. (Nachlaß Summer 1875, KSA 8, 9[1]) Sua reivindicação é que há uma lei moral eterna [ewiges Sittengesetz]; eles não querem reconhecer a lei individual [das individuelle Gesetz] e chamam o esforço para atingi-la de imoral e destrutivo. (Zu Schopenhauer, dated Oktober 1867 - April 1868, in: BAW III 352 - 370 (452 - 3 for Nachbericht). "Philosophy and Politics". Nietzsche registra no verso do frontispício do livro 3. Por outro lado, encontramos em Nietzsche a contra-alegação construtiva de que a manutenção e o cultivo de nossas capacidades (para reflexão e agência soberanas) são dependentes de relações de um antagonismo ponderado entre nós mesmos enquanto indivíduos, ou antes: como dividua. [...] Quando a satisfação de um impulso é sempre acompanhada de um sentimento de proibição e aflição, cresce uma aversão contra ele: nós agora o consideramos mal. Ed. (KSA) Hrsg. Em contrapartida, esses argumentos também levantam sérios problemas para a própria prática comunicativa de Nietzsche e para nosso engajamento na linguagem. Mas como acontece de um sentimento de aversão se ligar à satisfação de um impulso? Nasser, 2012 e Frezzatti, 2006 , pp. Pois no que concerne às origens sociais e à função da (auto) consciência a implicação do argumento é que nós somos indivíduos (auto) conscientes apenas na medida em que somos indivíduos sociais. (JGB/BM 268, KSA 5.221)8. de Carlos Alberto Nunes. Feeling is the sign of a motion that has been made statically perceptible, i.e. Como o indivíduo pode ser resguardado do conflito destrutivo de seus impulsos de modo a que se promova sua soberania? No lugar do ideal socrático de paz interior ou harmonia pela eliminação do conflito, os textos de Nietzsche pontuam a possibilidade de transformar o conflito desmedido e destrutivo - a destruição mútua de impulsos em competição, e com sua destruição a destruição do indivíduo que eles habitam - em um conflito ponderado e fecundo. Tendo como pano de fundo suas restrições teóricas da linguagem àquilo que temos em comum, Nietzsche descreve aqui seu próprio confinamento ao nível das necessidades [gemeinsame Bedürfnisse] e experiências comuns nas relações com outras pessoas ao longo dos anos. Berlin /NY: de Gruyter, 2008, p. 191-210. Essas tarefas não podem, contudo, ser enfrentadas diretamente, uma vez que o problema básico é que nosso conceito de natureza, especialmente o de natureza humana, foi inteiramente moralizado. Friedrich Wilhelm Nietzsche (/ ˈ n iː tʃ ə / [8] ou / ˈ n i tʃ i / [9]) nasceu em uma família luterana, em 15 de outubro de 1844.Filho de Karl Ludwig, seus dois avós eram pastores protestantes. Ele repete com insistência que o valor seletivo de uma crença é logicamente independente de seu valor de verdade. Princeton: Princeton University Press, 1996, p. 245-256. Empfindung In. In. Se for assim, nós temos outra indicação para o "erro categorial" nietzschiano de discutir assuntos morais e políticos em termos fisiológicos, ao qual eu retorno agora. Uma vez que os indivíduos são produto da sociedade ou estado ao qual eles pertencem, o estado não pode ser entendido como uma ameaça aos indivíduos preexistentes. Nietzsche". De acordo com a hipótese (contra uma ontologia substancial) de uma pluralidade originária de sentimentos [Empfindungen] em conflito, não pode haver algo como uma paz genuína, harmonia ou acordo consigo mesmo. A Theory of Justice. Em Nachlass/FP 6 [26], KSA 8.108, ele acusa Sócrates de tirar o indivíduo para fora de seu contexto histórico e em Nachlass/FP 6 [21], KSA 8.106, ele caracteriza a posição de Sócrates com as palavras: "da bleibt mir nichts als ich mir selbst; Angst um sich selbst wird die Seele der Philosophie."